O que acontece com o seu cérebro quando você faz dieta ?

o que acontece com o seu cérebro quando você faz dieta GATDA Valéria Lemos PalazzoHá inúmeros especialistas que dizem que eles conhecem o segredo para ficar magro comendo isso ou evitando isso. E, em seguida, há a velha equação “gastar mais do que se ingere” que parece tão simples, mas é muito mais difícil quando colocada em prática. E com tantas pessoas fazendo dieta a cada ano, por que a maioria delas não está tendo sucesso com a dieta?

Um dos pontos é o chamado “peso do ponto de ajuste”. O nosso peso corporal é regulado pelo cérebro. Se você não sabe disso, você ficará surpreso quando seu cérebro e seu corpo começarem a lutar contra a perda de peso.

Este é o centro do porquê a maior parte das pessoas perdem peso com dietas, mas voltam a recupera-lo. Sempre que seu peso muda demais, seu cérebro irá intervir para empurrá-lo de volta ao que ele acha que é o peso correto para você. E você pode não preferir o mesmo peso que seu cérebro prefere.

Podemos comparar esse processo ao de um termostato. Este dispositivo mede a temperatura e ajuda a regulá-la para que ela permaneça estável. Quando a temperatura aumenta, o calor diminui e vice-versa. No seu cérebro, o seu termostato está no hipotálamo que ativará respostas fisiológicas e comportamentais para manter a temperatura do seu corpo. Por exemplo, se estiver frio, nós podemos tremer ou vestir um agasalho.

Uma coisa semelhante acontece no seu cérebro quando se trata do quanto de gordura corporal você está carregando. Seu cérebro mede o nível de gordura corporal com leptina, um hormônio que é segregado em sua corrente sanguínea em proporção à quantidade de gordura que você carrega. Níveis mais elevados de leptina em sua corrente sanguínea significam mais gordura em seu corpo.

Sempre que seu peso mudar demais, seu cérebro irá intervir para empurrá-lo de volta ao que ele acha que é o peso correto para você.

Mas aqui é onde as coisas ficam complicadas. Todo mundo tem um certo nível de gordura corporal em que seus corpos estão mais “felizes”. Seu cérebro irá defender essa quantidade, assim como defende sua temperatura corporal. À medida que você perde peso, a quantidade de leptina na corrente sanguínea cai – e é aí que o problema começa. Ele envia um sinal para o seu cérebro para ajudá-lo a lutar para trazer de volta essa gordura. Claro, esse é o efeito exato oposto que você está procurando. Mas é difícil vencer a biologia.

Podemos relacionar esse efeito a uma resposta clássica de fome. Seu cérebro responde com a sensação de fome, fazendo com que aquelas balinhas na sala de espera do médico pareçam incrivelmente gostosas, garantindo assim que nosso desejo de as comes são impossíveis de ignorar. Fisiologicamente, sua taxa metabólica desacelera para que você possa economizar energia e fazer com que você volte a estocar gordura.

A fome é o que realmente tem um efeito “devastador”. Às vezes você nem percebe que está comendo mais. Mas quando você está abaixo do seu “peso de ajuste”, você acaba comendo mais para manter o nível de saciedade do que antes. É por isso que é possível manter uma dieta saudável e ainda ganhar peso de volta.

É aí que a compulsão entra. Considerando que você nunca considerou comer uma pizza inteira no passado, esse comportamento se torna uma necessidade. Em experiências de laboratório, quando os pesquisadores querem induzir os roedores a compulsão alimentar, o método mais confiável para fazê-lo é reduzir a ingestão de alimentos até que eles estejam com um peso menor e, em seguida, expô-los a alimentos super. saborosos, como biscoitos recheados. Na pesquisa com seres humanos, alguns estudos que observam o cérebro mostram que esse tipo de junk food ativa os centros de recompensa ainda mais ferozmente naqueles que perderam peso. A pesquisa com animais também sugere que uma dieta repetida torna o cérebro mais vulnerável ao comportamento de compulsão mesmo depois que a dieta é abandonada.

Valeria Palazzo Valeria Lemos PalazzoAutoria do texto:

Valéria Lemos Palazzo – Psicóloga e Neuropsicóloga

Idealizadora, Criadora e Coordenadora do GATDA – Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares, da Ansiedade e de Humor

 

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