{"id":1370,"date":"2016-09-13T17:58:32","date_gmt":"2016-09-13T20:58:32","guid":{"rendered":"http:\/\/gatda.com.br\/?p=1370"},"modified":"2018-11-02T18:30:34","modified_gmt":"2018-11-02T20:30:34","slug":"o-que-e-diabulimia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gatda.com.br\/index.php\/2016\/09\/13\/o-que-e-diabulimia\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 Diabulimia ?"},"content":{"rendered":"<p>Diabulimia \u00e9 um termo que surgiu na m\u00eddia nos \u00faltimos dias e causou uma s\u00e9rie de questionamentos.<\/p>\n<p>O primeiro esclarecimento \u00e9 definirmos que a\u00a0Diabulimia n\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico oficial ou um termo reconhecido medicamente.\u00a0 Como resultado, \u00e9 muito sub-diagnosticada e n\u00e3o tratada. O primeiro passo no tratamento desta doen\u00e7a perigosa \u00e9 a compreens\u00e3o das causas e sintomas.<\/p>\n<p>Ele refere-se \u00e0queles com diabetes que propositadamente ignoram ou reduzem as doses de insulina, afim de perder peso, at\u00e9 o ponto onde o seu comportamento constitui um transtorno alimentar diagnostic\u00e1vel e deixa sua condi\u00e7\u00e3o de diabetes com pouca aten\u00e7\u00e3o e cuidados.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/living-with-diabulimia-the-eating-disorder-for-diabetics-1464195200.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1371 aligncenter\" src=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/living-with-diabulimia-the-eating-disorder-for-diabetics-1464195200.jpg\" alt=\"diabulimia o que \u00e9 GATDA insulina dist\u00farbios alimentares\" width=\"678\" height=\"407\" srcset=\"https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/living-with-diabulimia-the-eating-disorder-for-diabetics-1464195200.jpg 800w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/living-with-diabulimia-the-eating-disorder-for-diabetics-1464195200-300x180.jpg 300w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/living-with-diabulimia-the-eating-disorder-for-diabetics-1464195200-768x461.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O que acontece ent\u00e3o para que este termo surgisse ?<\/p>\n<p>Na verdade pesquisas sugerem que os dist\u00farbios alimentares s\u00e3o provavelmente mais comuns entre as mulheres com diabetes do que mulheres que n\u00e3o t\u00eam diabetes.<\/p>\n<p>Bulimia \u00e9 o transtorno alimentar mais comum em mulheres com diabetes tipo 1. Entre as mulheres com diabetes tipo 2, a compuls\u00e3o alimentar \u00e9 mais comum.<\/p>\n<p>O termo &#8220;diabulimia&#8221; (tamb\u00e9m conhecido como ED-DMT1) tem sido muitas vezes usado para se referir a esta combina\u00e7\u00e3o de risco de vida e a pr\u00e1tica de reten\u00e7\u00e3o de insulina para manipular ou perder peso.<\/p>\n<p>Esta pr\u00e1tica arriscada pode ter consequ\u00eancias \u00a0catastr\u00f3ficas\u00a0para a sa\u00fade, j\u00e1 que\u00a0ambos, tanto a diabetes quanto os transtornos alimentares envolvem aten\u00e7\u00e3o aos estados do corpo, controle de peso e controle de alimentos, levando algumas pessoas a desenvolverem um padr\u00e3o no qual usam a doen\u00e7a para justificar ou camuflar a desordem. Como as complica\u00e7\u00f5es do diabetes e dos transtornos alimentares podem ser graves ou mesmo fatais a busca por comportamentos saud\u00e1veis \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Agora, imagine a dificuldade no tratamento de uma doen\u00e7a perigosa que pode facilitar o aparecimento de uma outra doen\u00e7a mortal, uma que faz com que a primeira seja\u00a0muito pior.<\/p>\n<p>Restringir a insulina para fins de perda de peso pode variar de uma pr\u00e1tica pouco frequente a um fen\u00f4meno incontrol\u00e1vel que coloca o paciente em risco de morrer. Cerca de 30 por cento das mulheres diab\u00e9ticas utilizam a restri\u00e7\u00e3o de uso de insulina para fins de perda de peso em algum momento de suas vidas. O que, naturalmente, n\u00e3o significa que elas tenham um dist\u00farbio alimentar. O que \u00e9 surpreendente \u00e9 que diab\u00e9ticas tipo 1 s\u00e3o duas vezes e meia mais propensas a desenvolver um transtorno alimentar do que outras mulheres. Tendo em conta que os dist\u00farbios alimentares s\u00e3o o mais mortal de todas as condi\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas, esta tend\u00eancia coloca as mulheres que j\u00e1 se encontram em situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade prec\u00e1ria em uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>A diabetes Tipo 1 \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o autoimune em que as c\u00e9lulas que produzem insulina s\u00e3o atacadas pelo pr\u00f3prio sistema imunit\u00e1rio do corpo. \u00a0Sem insulina, as c\u00e9lulas n\u00e3o podem acessar a glicose enquanto o fluxo de sangue est\u00e1 saturado com o material, causando sintomas como mic\u00e7\u00e3o excessiva, sede extrema, baixo consumo de energia e perda de peso.<\/p>\n<p>Para aqueles que consistentemente mant\u00e9m os seus n\u00edveis de glicose no sangue muito alto ao renunciar \u00e0 insulina, danos a longo prazo para os olhos, rins, nervos, e o sistema circulat\u00f3rio s\u00e3o poss\u00edveis<\/p>\n<p>Tais consequ\u00eancias desastrosas parecem, por si s\u00f3, ser um fator assustador para impedir este tipo de comportamento. Mas, para as mulheres com diabetes que tem predisposi\u00e7\u00e3o para desenvolver um transtorno alimentar, o pr\u00f3prio tratamento da diabetes constitui um risco. Isso acontece porque os pacientes com diabetes s\u00e3o ensinados a ser muito conscientes e atentos em rela\u00e7\u00e3o a sua ingest\u00e3o de calorias e controle do peso. Isso faz com que as\u00a0mulheres que estariam em risco para o desencadeamento de um transtorno alimentar desenvolvessem uma maior preocupa\u00e7\u00e3o com o peso, juntamente com ideias r\u00edgidas sobre a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez que uma mulher est\u00e1 manifestando um transtorno alimentar, a amea\u00e7a de, digamos, cegueira ou amputa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 p\u00e1reo para sua necessidade psicol\u00f3gica de\u00a0ficar magra e evitar a insulina. N\u00e3o \u00e9 que essas pacientes n\u00e3o estejam cientes dos riscos, elas sabem que os riscos s\u00e3o graves, mas seu transtorno alimentar assume o controle sobre suas vidas.<\/p>\n<p>A terapia praticada nesses pacientes \u00e9 semelhante ao tratamento para <strong>anorexia<\/strong> e <strong>bulimia<\/strong>, onde s\u00e3o ensinadas t\u00e9cnicas em rela\u00e7\u00e3o a\u00a0nutri\u00e7\u00e3o e habilidades de pensamento flex\u00edveis sobre alimenta\u00e7\u00e3o e peso. Mas qualquer tratamento de uma diabul\u00edmica deve, simultaneamente, ajud\u00e1-las a estabilizar os seus n\u00edveis de glicose no sangue e fazer com que se acostumem a administrar suas inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. \u00c9 um equil\u00edbrio delicado entre fazer o que \u00e9 bom para a\u00a0paciente e o que \u00e9 confort\u00e1vel para elas, porque muitos est\u00e3o apavoradas em rela\u00e7\u00e3o ao uso da insulina. Temos que ajud\u00e1-las a desmistificar\u00a0esses medos, e desenvolver uma compreens\u00e3o mais clara do que a insulina faz.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o existem dados a longo prazo sobre os resultados do tratamento de mulheres com diabulimia (nem sobre as estat\u00edsticas sobre quantos homens podem estar sofrendo de ambas as condi\u00e7\u00f5es), este \u00e9 um problema dif\u00edcil de superar.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno da diabulimia foi documentado na literatura de pesquisa desde o final dos anos 1980, mas s\u00f3 agora foi recentemente coberto na imprensa.<\/p>\n<p>Esperamos que esta nova consci\u00eancia v\u00e1 ajudar aqueles com diabulimia para perceber que eles n\u00e3o est\u00e3o sozinhos, e que o tratamento est\u00e1 dispon\u00edvel. Tamb\u00e9m esperamos que os membros da fam\u00edlia e amigos\u00a0incentivem estas pessoas a buscar ajuda.<\/p>\n<p>Aqui no GATDA oferecemos tratamento para pacientes nestas condi\u00e7\u00f5es, utilizando para isso as mesmas t\u00e9cnicas usadas no tratamento e recupera\u00e7\u00e3o da bulimia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1700 alignleft\" src=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a.jpg\" alt=\"Valeria Palazzo Valeria Lemos Palazzo\" width=\"101\" height=\"134\" srcset=\"https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a.jpg 1640w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a-768x1008.jpg 768w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a-780x1024.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 101px) 100vw, 101px\" \/><\/p>\n<p><em>Autoria do texto:<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Val\u00e9ria Lemos Palazzo &#8211;\u00a0<\/em><em>Psic\u00f3loga e Neuropsic\u00f3loga<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Idealizadora, Criadora e Coordenadora do GATDA &#8211; Grupo de Apoio e Tratamento dos Dist\u00farbios Alimentares, da Ansiedade e de Humor<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diabulimia \u00e9 um termo que surgiu na m\u00eddia nos \u00faltimos dias e causou uma s\u00e9rie de questionamentos. 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