{"id":174,"date":"2016-03-13T22:02:01","date_gmt":"2016-03-13T22:02:01","guid":{"rendered":"http:\/\/gatda.com.br\/?p=174"},"modified":"2018-11-02T19:22:52","modified_gmt":"2018-11-02T21:22:52","slug":"como-ajudar-alguem-com-disturbio-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gatda.com.br\/index.php\/2016\/03\/13\/como-ajudar-alguem-com-disturbio-alimentar\/","title":{"rendered":"Como ajudar algu\u00e9m com dist\u00farbio alimentar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>DIST\u00daRBIOS ALIMENTARES: O QUE A FAM\u00cdLIA PRECISA SABER?<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Admita que tem um problema grave em casa. A nega\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 muitas vezes parte integrante do quadro. Raramente um paciente se queixa da perda de peso.<\/li>\n<li>Em geral o doente desconfia dos m\u00e9dicos e terapeutas e os encara como inimigos.<\/li>\n<li>Saiba que a taxa de mortalidade e complica\u00e7\u00f5es f\u00edsicas s\u00e3o altas.<\/li>\n<li>\u00c0s vezes as melhoras iniciais n\u00e3o representam avan\u00e7os concretos.<\/li>\n<li>Cada dia de atraso no tratamento, pode representar um risco no aumento do quadro cr\u00f4nico da doen\u00e7a.<\/li>\n<li>Geralmente a fam\u00edlia sofre porque n\u00e3o consegue ajudar, e o doente porque n\u00e3o quer ser ajudado.<\/li>\n<li>A necessidade de controlar o peso e a alimenta\u00e7\u00e3o, bem como os cuidados para que o doente tome a medica\u00e7\u00e3o certa e n\u00e3o a errada (diur\u00e9ticos, laxantes, anorex\u00edgenos e horm\u00f4nios tireoidianos), s\u00e3o batalhas di\u00e1rias.<\/li>\n<li>As reca\u00eddas e o isolamento social s\u00e3o muito frequentes.<\/li>\n<li>Raramente o tratamento vai at\u00e9 o final com o mesmo m\u00e9dico ou terapeuta que diagnosticou a doen\u00e7a. A press\u00e3o dos pacientes em mudar de profissionais, associada a ansiedade das fam\u00edlias em ter resultados r\u00e1pidos, faz com que a troca de profissionais respons\u00e1veis pelo tratamento ocorra com frequ\u00eancia o que retarda o processo.<\/li>\n<li>Deixe claro que voc\u00ea se preocupa. Demonstre que a sua preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada com a sa\u00fade f\u00edsica e emocional da pessoa. Deixe claro para o paciente que se trata de salvar sua vida, quer ele queira ou n\u00e3o, voc\u00ea sempre vai estar ao seu lado e participar do seu processo de tratamento.<\/li>\n<li>Os grupos para pais podem oferecem um marco de seguran\u00e7a para os pais, j\u00e1 que proporcionam o desenvolvimento de sentimentos de autoestima, afetividade e esperan\u00e7a para os estes, tamb\u00e9m funcionam como um &#8220;guia&#8221; aonde os pais tanto recebem e trocam informa\u00e7\u00f5es tanto com os terapeutas quanto com outros pais. O grupo de pais n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para o transtorno alimentar de um filho, mas pode ser considerado como uma &#8220;ferramenta eficiente e \u00fatil ao tratamento&#8221;.\u00a0 Lewis y Mac Guire (1985)<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/687474703a2f2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-546 aligncenter\" src=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/687474703a2f2.jpg\" alt=\"dist\u00farbios alimentares e fam\u00edlia pais anorexia e bulimia\" width=\"575\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/687474703a2f2.jpg 575w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/687474703a2f2-300x225.jpg 300w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/687474703a2f2-135x100.jpg 135w\" sizes=\"(max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A terapia familiar permite uma reestrutura\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o familiar, a modifica\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de confronto entre pais e filhos, e a &#8220;corre\u00e7\u00e3o&#8221; da comunica\u00e7\u00e3o disfuncional entre os membros da fam\u00edlia. Na terapia familiar tamb\u00e9m se busca a autonomia e diferencia\u00e7\u00e3o entre seus membros.<\/p>\n<p>Uma fam\u00edlia que se defronta com um membro afetado por um transtorno alimentar se transforma no local prop\u00edcio para a falta de comunica\u00e7\u00e3o, sil\u00eancios dolorosos, recrimina\u00e7\u00f5es tardias, sentimento de culpa e frequentes promessas \u00a0de mudan\u00e7as. Por isso a fam\u00edlia jamais deve ser \u201cculpada\u201d da doen\u00e7a. Mas sim reconhecer a responsabilidade de si mesma no problema. Este reconhecimento da fam\u00edlia como \u201c<strong>parte<\/strong>\u201d e n\u00e3o \u201c<strong>causa<\/strong>\u201d da doen\u00e7a faz parte do processo de tratamento do paciente. Na terapia familiar e\/ou nos encontros realizados nos grupos de pais, as \u201cferidas\u201d da fam\u00edlia, cicatrizam paralelamente as da pessoa afetada pelo transtorno alimentar. A fam\u00edlia tamb\u00e9m deve conhecer as cren\u00e7as erradas que tem sobre os transtornos alimentares, reconhecendo que estas mant\u00eam dentro de si, profundas complica\u00e7\u00f5es biopsicossociais. Muitos pais t\u00eam dificuldade em entender que sua filha com anorexia, n\u00e3o deseja ser como uma \u201cmodelo\u201d. Ela deseja emagrecer \u201cat\u00e9 morrer\u201d.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia como n\u00facleo b\u00e1sico da sociedade tem como responsabilidade realizar uma releitura cr\u00edtica da sociedade moderna. Isso pode ser muito dif\u00edcil, quando a pr\u00f3pria m\u00e3e apresenta uma identidade baseada em valores e padr\u00f5es distorcidos de beleza. Logo isto far\u00e1 com que a pr\u00f3pria filha desta mulher cres\u00e7a equivocada com rela\u00e7\u00e3o a sua confian\u00e7a e sentido de identidade.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o familiar \u00e9 algo amplamente propagado como necess\u00e1rio. E realmente o \u00e9. Por\u00e9m a maioria das fam\u00edlias se \u201ccomunica\u201d de maneira inadequada e\/ou truncada impedindo que qualquer membro pertencente a ela expresse o que sentem internamente, como se a manifesta\u00e7\u00e3o \u201clivre\u201d fosse algo \u201cinc\u00f4modo\u201d. Neste tipo de fam\u00edlia, aparentemente n\u00e3o existem \u201cbrigas\u201d (externas), porque se premia a docilidade.<\/p>\n<p>Vigora um sistema aonde todos seus membros devem cumprir certos deveres e obriga\u00e7\u00f5es, sem protestar, contestar, e muito menos discutir. Os filhos afetados podem passar a sofrer de um distanciamento emocional, sendo incapazes de confrontar a dor, a raiva, e os sentimentos \u201cintensos\u201d. Diante desta din\u00e2mica familiar, os sentimentos e necessidades se transformam em algo \u201cruim\u201d, que n\u00e3o se comenta. Mas todo este \u201cesfor\u00e7o\u201d (em nome de uma aparente \u201ctranquilidade\u201d), s\u00f3 reprime os sentimentos, mas n\u00e3o faz com que eles simplesmente \u201cdesapare\u00e7am\u201d. Muitos destes filhos que vivem este tipo de \u201ccircunst\u00e2ncia\u201d familiar desenvolvem uma baixa autoestima.<\/p>\n<p>Como vamos reconhecer e \u201cenfrentar\u201d nossos pr\u00f3prios sentimentos diante de uma estrutura \u201cmacro\u201d (a vida social) se na \u201cmicro\u201d sociedade em que vivemos (a fam\u00edlia) somos, de certa forma, impedidos de nos expressarmos de maneira franca e sincera diante de pessoas de confian\u00e7a? Uma das respostas \u00e9 que encontramos outras maneiras \u201cmenos normais\u201d, menos saud\u00e1veis e menos diretas de nos expressarmos, porque como a \u00e1gua, os sentimentos encontram uma sa\u00edda de uma ou outra forma.<\/p>\n<p>O envolvimento e \u201ctratamento\u201d da pr\u00f3pria fam\u00edlia \u00e9 fundamental porque ao se confrontarem com um transtorno alimentar, a pr\u00f3pria fam\u00edlia estar\u00e1 diante da sua pr\u00f3pria fragilidade. Quando uma filha \u00e9 afetada por um transtorno alimentar, a pr\u00f3pria estrutura da fam\u00edlia \u00e9 abalada. Muitos pais n\u00e3o suportam a dor e se acusam mutuamente. Os irm\u00e3os podem sentir-se desprotegidos pelos pais, que concentram sua aten\u00e7\u00e3o no doente. Por\u00e9m, se a fam\u00edlia conseguir separar o\u00a0doente da doen\u00e7a, compreendendo que ela (sua filha) \u00e9 muito mais que a pr\u00f3pria doen\u00e7a, deixando a culpa de lado, mas se responsabilizando e se envolvendo na responsabilidade de participar do tratamento toda esta fam\u00edlia sair\u00e1 fortalecida e transformada. Isto pode se reverter em uma melhoria das rala\u00e7\u00f5es intrafamiliares e o respeito da individualidade de cada um dos seus membros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>RESPONDENDO AS D\u00daVIDAS MAIS COMUNS DOS PAIS<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Estamos diante de uma doen\u00e7a\u00a0?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ultimamente voc\u00ea tem observado algumas condutas que n\u00e3o sabe como qualificar.\u00a0Sua filha pode estar fazendo uma dieta que n\u00e3o difere muito daquela que suas colegas do col\u00e9gio fazem.\u00a0Talvez esteja menos comunicativa, n\u00e3o faz mais refei\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia, ou passe muito tempo na academia de gin\u00e1stica.\u00a0Pensamos que estas atitudes por si s\u00f3, n\u00e3o representam nada com que nos preocuparmos.\u00a0Al\u00e9m disso, muitas vezes minimizamos alguns sinais de alerta.\u00a0N\u00e3o existe d\u00favida de que preferimos que &#8220;tudo esteja bem&#8221; e seguimos nos comportando como se tudo realmente estivesse \u201cbem\u201d.\u00a0Na realidade, todos devem estar atentos, e sempre que existirem d\u00favidas consultar um especialista em transtornos alimentares como o <strong>GATDA<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><em>\u00c9 um capricho ?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 a pergunta feita pelos pais que acreditam que o comportamento da sua filha deve ser &#8220;isso mesmo&#8221;. Apenas um capricho, uma mania de adolescente.\u00a0Estamos diante de filhas que sempre se comportaram, de maneira \u201cnormal\u201d, &#8220;como se espera&#8221;, nunca causaram problemas em casa. E agora, repentinamente, tem atitudes inesperadas para os pais.\u00a0Muitas vezes existe uma altera\u00e7\u00e3o na personalidade, \u00e0s vezes s\u00e3o hostis e agressivas, e a harmonia familiar se abala.\u00a0Os pais sempre devem prestar aten\u00e7\u00e3o a estas mudan\u00e7as de comportamento.<\/p>\n<p><strong><em>Podem ser apenas problemas de adolesc\u00eancia\u00a0?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Muitos pais pensam que esta situa\u00e7\u00e3o se reverter\u00e1 com o passar do tempo, que \u00e9 apenas circunstancial.\u00a0Seu interesse por &#8220;ficar magra&#8221; n\u00e3o difere da maioria das pessoas. Pensam: \u201cAfinal, n\u00e3o deve ser nada demais, porque todas as garotas fazem dietas\u201d.\u00a0\u201cS\u00e3o quest\u00f5es de sa\u00fade&#8221;, pensamos. Por que ent\u00e3o n\u00e3o colaborar preparando a &#8220;comida especial&#8221; que ela nos pede?\u00a0A maioria evita confrontos e aceita.\u00a0O que pode ter de mal? Pensam.<\/p>\n<p><strong><em>O que eu fiz de mal para que isso acontecesse, quem \u00e9 o culpado ?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Chegamos ao ponto em que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 quase insustent\u00e1vel. Os pais n\u00e3o sabem o que se passa com eles, o que se passa com sua filha, e com sua fam\u00edlia.\u00a0Pensam que tudo est\u00e1 um caos, mas n\u00e3o sabem o que est\u00e1 acontecendo.\u00a0Ent\u00e3o se perguntam: \u201cO que fizemos de errado? \u201d- \u201cAonde falhamos? \u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Se eu conversar com meu filho(a) ele\/ela vai entender e mudar de atitude\u00a0?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma das \u00faltimas tentativas para reverter a\u00a0situa\u00e7\u00e3o. Lamentavelmente n\u00e3o d\u00e1 resultado.\u00a0Sua filha n\u00e3o reconhece que est\u00e1 doente, n\u00e3o tem consci\u00eancia da doen\u00e7a. Por isso n\u00e3o quer se curar. S\u00f3 algu\u00e9m que se \u201cpercebe\u201d doente, busca a cura.\u00a0Voc\u00ea n\u00e3o deve se esfor\u00e7ar no sentido de tentar \u201cconvencer\u201d sua filha.\u00a0O melhor caminho \u00e9 buscar uma solu\u00e7\u00e3o efetiva atrav\u00e9s da busca de um especialista.\u00a0Este \u00e9 o caminho mais seguro para se preservar a sa\u00fade:\u00a0O DIAGN\u00d3STICO E TRATAMENTO PRECOCE DO PROBLEMA.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/eatingDisorders.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-549 aligncenter\" src=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/eatingDisorders.jpg\" alt=\"dist\u00farbios alimentares e fam\u00edlia pais anorexia e bulimia mitos\" width=\"811\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/eatingDisorders.jpg 811w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/eatingDisorders-300x225.jpg 300w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/eatingDisorders-135x100.jpg 135w\" sizes=\"(max-width: 811px) 100vw, 811px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em><strong>Ser\u00e1 que meu filho(a) tem <a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/index.php\/2016\/02\/22\/ola-mundo\/\">anorexia<\/a>\u00a0?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em geral os pais nos perguntam se algumas condutas das suas filhas s\u00e3o na realidade \u201ccaprichos de adolescentes&#8221;, se obedecem &#8220;a crises de identidade&#8221; ou se s\u00e3o &#8220;comuns a todas as garotas&#8221;.\u00a0Muitas vezes n\u00e3o associamos algumas atitudes que isoladamente n\u00e3o s\u00e3o importantes, mas que em seu conjunto podem confirmar uma Patologia Alimentar grave: a &#8220;ANOREXIA NERVOSA&#8221;.\u00a0Resumiremos brevemente algumas altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que a doen\u00e7a produz, atitudes frente \u00e0 comida t\u00edpicas da anorexia, e tamb\u00e9m condutas sociais pr\u00f3prias da doen\u00e7a.\u00a0\u00c9 oportuno salientar que quem sofre de Anorexia n\u00e3o reconhece estar doente, tem um medo intenso de aumentar de peso e &#8220;se veem&#8221; gordas.\u00a0Estas tr\u00eas raz\u00f5es b\u00e1sicas se potencializam e d\u00e3o como resultado uma obsess\u00e3o por emagrecer que n\u00e3o tem limites.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio ent\u00e3o aprender a detectar a doen\u00e7a.\u00a0N\u00e3o duvidamos que conhecer a Anorexia, e aceitar que sua filha possa ser v\u00edtima desta doen\u00e7a, seja o primeiro passo para o tratamento.<\/p>\n<p><em><strong>Ser\u00e1 que meu filho(a) tem <a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/index.php\/2016\/02\/26\/bulimia\/\">bulimia<\/a>\u00a0?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A BULIMIA NERVOSA \u00e9 uma doen\u00e7a que pode ser chamada de\u00a0\u00a0 &#8220;segredo que mata&#8221;.\u00a0\u00c9 muito dif\u00edcil detect\u00e1-la, porque na maioria dos casos n\u00e3o existe um peso significantemente baixo para chamar a aten\u00e7\u00e3o, como no caso da anorexia.\u00a0As condutas patol\u00f3gicas &#8220;altamente secretas&#8221; daqueles que t\u00eam a doen\u00e7a, n\u00e3o permitem perceber com facilidade um sinal de alerta que nos indique uma poss\u00edvel doen\u00e7a.\u00a0\u201cO comer escondido&#8221; nos impede de detectar os atos de voracidade.\u00a0\u201cA compuls\u00e3o&#8221; \u00e9 uma conduta que se pr\u00e1tica &#8220;escondido&#8221;.\u00a0O abuso de laxantes, v\u00f4mitos, diur\u00e9ticos e\/ou anorex\u00edgenos tamb\u00e9m se oculta.\u00a0Mas: Quem detecta estas condutas?\u00a0A bulimia nos esconde os seus atos. Frente aos outros come normalmente ou faz dieta, ent\u00e3o, a fam\u00edlia se encontra &#8220;fora&#8221; do problema, o desconhecem, e por consequ\u00eancia, n\u00e3o podem oferecer ajuda.\u00a0Devemos ent\u00e3o nos converter em observadores, prestar aten\u00e7\u00e3o a m\u00ednimos detalhes que podem ser reveladores, devemos aprender a detectar a bulimia.\u00a0N\u00e3o duvidemos que a percep\u00e7\u00e3o precoce facilita a recupera\u00e7\u00e3o.\u00a0O conselho \u00e9 claro e o repetiremos toda vez que seja necess\u00e1rio:\u00a0\u201cConsulte um especialista&#8221;.\u00a0Este \u00e9 sem d\u00favida o caminho mais seguro, mas o que \u00e9 que devemos observar para descobrir a doen\u00e7a?\u00a0Para facilitar a tarefa descreveremos o perfil da paciente <a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/index.php\/2016\/03\/05\/caracteristicas-da-anorexia\/\">anorexia <\/a>e da <a href=\"http:\/\/gatda.com.br\/index.php\/2016\/03\/12\/caracteristicas-da-bulimia\/\">bulimia<\/a>, os sinais f\u00edsicos e cl\u00ednicos, as atitudes frente \u00e0 comida, a conduta social, aspectos da personalidade e outras caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p><em><strong>Como os irm\u00e3os podem ajudar no tratamento\u00a0?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Irm\u00e3os podem ter suas diferen\u00e7as e at\u00e9 mesmo &#8220;viverem brigando&#8221;, mas eles podem auxiliar no processo de recupera\u00e7\u00e3o.\u00a0Os irm\u00e3os e irm\u00e3s s\u00e3o t\u00e3o \u00fateis no processo de recupera\u00e7\u00e3o como os pais. Ali\u00e1s, o relacionamento entre irm\u00e3os aonde um deles tem algum tipo de dist\u00farbio alimentar, deve ser t\u00e3o valorizado no processo terap\u00eautico quanto o relacionamento entre os pais e os filhos. Por isso sempre que poss\u00edvel, \u00e9 desej\u00e1vel que os irm\u00e3os participem do processo de tratamento. Muitos irm\u00e3os reagem de maneira cooperativa ao se envolverem no processo da irm\u00e3 ou irm\u00e3o doente.\u00a0Se os irm\u00e3os forem mais novos, \u00e9 muito importante que sejam informados do que est\u00e1 acontecendo com a irm\u00e3 ou irm\u00e3o. Uma crian\u00e7a muito nova, ao passar por um problema como esse, que envolve toda uma din\u00e2mica familiar, pode sentir que \u00e9 parte ou causadora direta do problema. Por isso as crian\u00e7as n\u00e3o devem ser exclu\u00eddas, n\u00e3o pense que seus filhos mais novos, &#8220;n\u00e3o ir\u00e3o entender nada, e, por isso \u00e9 melhor n\u00e3o contar nada&#8221;.\u00a0Muitas crian\u00e7as ao presenciarem uma irm\u00e3 ou irm\u00e3o, por exemplo, vomitando ou emagrecendo demais, podem erroneamente imaginarem que seu irm\u00e3o ou irm\u00e3 est\u00e1 &#8220;morrendo&#8221;. Mesmo sabendo que essas doen\u00e7as s\u00e3o fatais, no imagin\u00e1rio infantil, seu irm\u00e3o, pode estar com c\u00e2ncer por exemplo.<\/p>\n<p><em><strong>Por que os irm\u00e3os e as irm\u00e3s devem ser inclu\u00eddos no tratamento ?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os irm\u00e3os ajudam a esclarecer a din\u00e2mica e as intera\u00e7\u00f5es familiares. Os irm\u00e3os ajudam a compreender e esclarecer intera\u00e7\u00f5es passadas e atuais da fam\u00edlia. Auxiliam a esclarecer como essa fam\u00edlia &#8220;funciona&#8221;. Desta maneira, podem agir como &#8220;orientadores&#8217; para o desenvolvimento do processo terap\u00eautico, em especial quando as rela\u00e7\u00f5es entre os membros da fam\u00edlia permanecem n\u00e3o resolvidas.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os podem auxiliar muito no tratamento especialmente quando n\u00e3o existe um relacionamento fortalecido entre os pais, mas existe um relacionamento bem estruturado entre os filhos. Muitas vezes os irm\u00e3os s\u00e3o a base de sustenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Uma surpresa \u00e9 que uma ajuda real e genu\u00edna pode ser fornecida por aqueles irm\u00e3os de quem se esperaria menos ajuda &#8212; por exemplo, uma irm\u00e3 &#8220;introvertida e calada&#8221; que est\u00e1 tendo os seus pr\u00f3prios problemas pode, muitas vezes auxiliar a irm\u00e3 ou irm\u00e3o com problema.<\/p>\n<p>Deve-se compreender a posi\u00e7\u00e3o de cada irm\u00e3o dentro da fam\u00edlia e pedir que todos participem expressando as suas opini\u00f5es. Se por alguma raz\u00e3o pr\u00e1tica, os irm\u00e3os n\u00e3o puderem vir \u00e0s sess\u00f5es de tratamento da pessoa, podemos estabelecer um canal de comunica\u00e7\u00e3o com elas, entrevistando-as no telefone ou pedindo que escrevam o que sentem e pensam sobre o assunto. Os princ\u00edpios e objetivos do tratamento s\u00e3o explicados em sess\u00f5es separadas. Geralmente os irm\u00e3os compreendem muito bem o significado do dist\u00farbio alimentar e dos seus efeitos sociais e familiares. Compreendendo o que est\u00e1 acontecendo e aprendendo sobre o tratamento, os irm\u00e3os podem tamb\u00e9m agir como \u00a0\u201ccoparticipantes\u201d do tratamento, envolvendo-se na fam\u00edlia e nas discuss\u00f5es, ou expressando mais livremente suas opini\u00f5es sobre a din\u00e2mica familiar.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os que t\u00eam vidas independentes ao manterem um contato positivo com os pais podem agir como &#8220;modelos&#8221; para ajudar os pacientes a fazerem a transi\u00e7\u00e3o frequentemente dif\u00edcil do est\u00e1gio infantil para o de adulto independente. Os irm\u00e3os podem ser uma for\u00e7a tremenda positiva, mas podem tamb\u00e9m ser parte do problema. Por exemplo, um irm\u00e3o ou irm\u00e3, geralmente mais velhos, podem ser extremamente envolvidos ou podem tentar agir como um pai. Ou, ainda pode haver uma rivalidade ou outra dificuldade de relacionamento entre os irm\u00e3os. Cada uma destas \u00e1reas do problema \u00e9 trabalhada individualmente, em sess\u00f5es especiais.<\/p>\n<p>Embora n\u00f3s o foquemos somente alguns aspectos da inclus\u00e3o dos irm\u00e3os no tratamento, a conclus\u00e3o est\u00e1 em aberto: n\u00f3s podemos aprender muito dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s. Eles certamente nos ajudam a aprofundar nossa compreens\u00e3o de dist\u00farbios alimentares e, consequentemente podemos ampliar o campo de a\u00e7\u00e3o e o potencial do tratamento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1700 alignleft\" src=\"http:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a.jpg\" alt=\"Valeria Palazzo Valeria Lemos Palazzo\" width=\"86\" height=\"113\" srcset=\"https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a.jpg 1640w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a-229x300.jpg 229w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a-768x1008.jpg 768w, https:\/\/gatda.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/20181031_113937a-780x1024.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 86px) 100vw, 86px\" \/><\/p>\n<p><em>Autoria do texto:<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Val\u00e9ria Lemos Palazzo &#8211;\u00a0<\/em><em>Psic\u00f3loga e Neuropsic\u00f3loga<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Idealizadora, Criadora e Coordenadora do GATDA &#8211; Grupo de Apoio e Tratamento dos Dist\u00farbios Alimentares, da Ansiedade e de Humor<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIST\u00daRBIOS ALIMENTARES: O QUE A FAM\u00cdLIA PRECISA SABER? Admita que tem um problema grave em casa. A nega\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 muitas vezes parte integrante do quadro. Raramente um paciente se queixa da perda de peso. Em geral o doente desconfia dos m\u00e9dicos e terapeutas e os encara como inimigos. 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