O que é Distorção da Imagem Corporal

A imagem corporal refere-se a como as pessoas vêem a si mesmas.

A distorção da imagem corporal refere-se a uma visão irrealista de como alguém vê seu corpo.

A distorção da imagem corporal está presente tanto na bulimia quanto na anorexia  e representa um aspecto de difícil abordagem no tratamento. Além disso é um fator determinante no inicio, na manutenção, e nas possíveis recaídas posteriores.  A distorção da imagem afetam mais as mulheres, mas muitos homens também sofrem com o transtorno.

Nós começamos a formar as nossas percepções de atratividade, saúde, aceitabilidade e funcionalidade do nosso corpo na primeira infância. Esta imagem inicial do corpo continua a se desenvolver a medida que crescemos e começamos a receber observações de membros da família, treinadores, amigos, namorados e outras pessoas.

Alguns traços de temperamento como o perfeccionismo e a autocrítica também podem influenciar para o desenvolvimento de uma autoimagem corporal negativa.

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“Um Olhar de dentro, que contrasta com um olhar de fora”      

Cash, Deagle, 1997

A obsessão pela magreza e/ou perfeccionismo ligado à autoimagem, surge da necessidade de estabelecer um controle absoluto sobre si mesma.

A necessidade de emagrecer ou conseguir um “corpo perfeito“, impede que se tenha uma consciência de si mesmo, o que leva a uma batalha interna que causa angústia e sofrimento. Infelizmente a distorção da imagem corporal impede uma percepção real de si mesma. Por outro lado, a pretensão por uma imagem corporal perfeita e inalcançável ( porque é sustentada por ideias irracionais e percepções irreais ), produz graves distorções  perceptivas o que leva a uma permanente insatisfação que vai determinar alguns dos vários comportamentos do seu distúrbio alimentar.

“Dizem que estou muito magra. Eu olho no espelho. Mas só consigo enxergar um corpo gordo”

A distorção da imagem corporal engloba os seguintes aspectos:

  • Cognitivos: expectativa irreal de possuir um “modelo” corporal especifico
  • Comportamentais: evitam situações nas quais o corpo possa estar em evidência
  • Perceptuais: super-estima do tamanho do corpo

Existe uma percepção incorreta e distorcida de determinadas áreas corporais.

imagem corporal

Quais são os sinais da distorção da imagem corporal ?

  • Grande insatisfação com o corpo, que se manifesta como uma “repulsa” do mesmo.
  • Negação da “magreza”, ainda que a pessoa esteja com um peso extremamente baixo.
  • Contínuos comentários e queixas de que está “gorda”, ainda que tenha um peso abaixo do saudável.
  • Queixas de insatisfação com o corpo, acreditando que a única forma de “melhorar” esta insatisfação é perdendo mais peso ( o que contribui para que sejam iniciadas, e/ou mantidas dietas restritivas, e o uso de laxantes, diuréticos e/ou vômitos).
  • Emoções e reações negativas sobre seu próprio corpo.
  • Queixas freqüentes sobre “defeitos” no corpo, ainda que sejam imperceptíveis para o resto das pessoas que convivem com a paciente.
  • “Enxergar” o tamanho de certas partes do seu corpo maiores do que são.
  • Evitar certas situações em que tenha que mostrar alguma parte do corpo (biquínis, minissaias, camisetas, etc..
  • Esconder ou dissimular certas partes do corpo. Usando roupas largas, varias “camadas” de roupas, mangas compridas, etc.
  • Baixa autoestima, a qual depende totalmente do peso que tenha. Vai perdendo o interesse por atividades e coisas que antes desfrutava.
  • Obsessão com relação a espelhos fazendo com que a pessoa fique constantemente “checando” a sua imagem
  • Comparação frequente com o corpo de alguma amiga, ou apenas comumente: com o corpo de uma celebridade ou alguém da mídia.

Muito autores estão de acordo que um aspecto muito importante no início dos transtornos alimentares é a insatisfação com o corpo e/ou a alteração da imagem corporal. Por isso a imagem corporal é um fator muito importante na recuperação dos transtornos alimentares.

Relação entre o peso e imagem corporal

A faixa de peso normal saudável para uma pessoa pode ser percebida como o excesso de peso por alguém com uma imagem corporal distorcida. Uma mulher com anorexia pode se  olhar no espelho e enxergar um reflexo muito maior do que seu tamanho real. Por outro lado, não é incomum para os indivíduos obesos relatarem que eles não percebem que eles estão tão grandes como estão, e portanto percebem o seu corpo como muito menor do que ele realmente é. Muitas vezes essa percepção “real” só acontece quando eles veem uma fotografia, vídeo ou uma imagem refletida de si mesmos.

Por que minha Imagem Corporal é Distorcida ?

“Eu olho. Mas não enxergo”

O nosso cérebro não diferencia o real da ilusão Ex : se você sente medo de cachorro você terá as mesmas sensações físicas e mentais de medo, (sendo ele real ou fantasia). Pacientes que sofreram amputações sentem sensações como dor e coceira no “membro fantasma”. Um fantasma, no sentido usado pelos neurologistas, é a imagem ou memória persistente de parte do corpo, geralmente um membro, durante meses ou anos após a sua perda. Tudo isso é real. A sensação de dor real, mas o membro não é real. Você pode ter a sensação (através de uma percepção distorcida) de que sua barriga é grande demais para o restante do corpo, (ou de que ingerir uma grande refeição a faz gorda), mas isso não é real.Quando você “acha” que é real, o seu sistema muda e reage  como realidade. Tudo o que vivemos está de acordo com o que vivemos “na cabeça”. TUDO É SENSAÇÃO.

Viver é ter sensações. Se você perde os sentidos, não tem mais o “lá fora”.  Nosso corpo é sentido através dos nossos cinco sentidos e de um outro sentido chamado propriocepção, esse sentido é indispensável ao nosso sentido de “nós mesmos“, afinal, é graças à propriocepção, que sentimos nossos corpos como próprios de nós mesmos, como nossa “propriedade”, como nossos. O nossos sentido do corpo, portanto, é dado por três coisas:  a visão, os órgãos do equilíbrio e a propriocepção.

Tudo o que sentimos (bom ou mal) é provocado por nossas atividades mentais. Você escolhe.

Às vezes, a imagem corporal é impactada negativamente por um ou mais eventos significativos. Por exemplo, uma ginasta que está continuamente sendo pressionada por seu treinador e outros atletas para perder um pouco de peso, pode desenvolver uma insatisfação permanente e profundamente enraizada em relação ao seu corpo, não importa quão magra, ela se torne.

Como eu Posso Mudar ?

Para mudar a sensação você tem que mudar  a ideia. Toda as suas sensações são produtos do seu pensamento. Em primeiro lugar você tem que entender este conceito. Acreditar que o que parece e é sentido como real com relação ao tamanho e aparência do seu corpo  não é REAL. Se existe uma sensação corporal “deficiente” ou distorcida (caso da bulimia e anorexia), o que experimentamos em relação aos nossos corpos, ou parte deles, é algo estranho, como se estivéssemos, “cegos e surdos” em relação a nós mesmos. Não enxergamos e nem ouvimos os nossos corpos, ficamos alheios a eles. Ele, o corpo, passa  a ser um desconhecido.

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Se você está preocupado com sua imagem corporal, aqui estão algumas perguntas que você deve fazer a si mesma:

  • Pode a minha percepção distorcida da beleza estar sendo influenciada por anos de exposição a mídia que glorifica um ideal de peso – extremamente magro  – ( e que não é realista para a maioria das pessoas )
  • Eu critico frequentemente a minha aparência física ?

Vamos começar a ampliar a percepção geral do corpo em sua totalidade, uma primeira aproximação em relação à conscientização corporal pode ser realizada através de exercícios que permitam uma “maior aproximação” do corpo.

Exercício:

  • Em uma folha de papel escreva como você vê e sente cada parte do seu corpo (barriga, braços, pernas, coxas, nádegas,etc…) procure realizar uma descrição detalhada sobre o que você vê , sem esquecer de identificar quais sentimentos e sensações estão associadas àquela parte. Procure também, fazer associações com  os sentidos como (quente, frio, morno, gelado, claro, escuro (use as  cores) e até sons ou músicas). Tudo isso vai fazer com que você comece a desenvolver uma maior percepção corporal, vai  aproximá-la do seu corpo.

Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga/Neuropsicóloga Coordenadora do GATDA  CRP 06/35173